Mergulhando no Rio de Deus
“Por onde passar o rio, haverá todo tipo de animais e peixes. Porque essa água flui para lá e saneia a água salgada; de modo que onde o rio fluir tudo viverá. (…) Árvores frutíferas de toda espécie crescerão em ambas as margens do rio. Suas folhas não murcharão e os seus frutos não cairão. Todo mês produzirão, porque a água vinda do santuário chega até elas. Seus frutos servirão de comida, e suas folhas de remédio.” Ezequiel 47:1-12

O profeta Ezequiel é conhecido como o profeta das visões. Ele exerceu seu ministério, aproximadamente, nos anos de 592 – 570 a.C.

Foi contemporâneo do profeta Jeremias, mas enquanto esse profetizou no Reino de Judá, aquele profetizou na Babilônia, pois também foi levado cativo.

Nos capítulos anteriores a esse (a partir do 40), Deus levou, em espírito, Ezequiel a Jerusalém, onde lhe mostrou o lugar em que o Novo Templo seria reconstruído muitos anos depois (já que o de Salomão havia sido destruído pelos babilônicos).

Na sua visão, o profeta se encontrou com um homem cuja face brilhava como bronze, o qual estava de pé à porta do Templo. Ele tinha em suas mãos uma vara de medir e uma corda.

Depois de ver detalhadamente a “planta” do novo Templo que seria reconstruído, de restabelecer as funções e rituais e verificar a redistribuição da terra, Ezequiel foi levado de volta à porta de entrada, onde notou que fluía água por debaixo dela.

Analisando melhor, o profeta percebeu que se tratava de um rio.

Ao analisarmos as águas que descritas, notamos que elas eram vivas, pois eram correntes; fluíam do Templo de Deus, ou seja, da Sua morada; e que na realidade, elas constituíam um rio profundo, o qual só era possível ser atravessado nadando.

O rio corria do leste, onde estava o deserto da Judeia, até o vale do Mar Morto que, como o próprio nome indica, não possibilita vida em razão da sua alta salinidade. Ele fica muito abaixo do nível do mar, assim sua única forma de vasão das águas é através da evaporação.

As águas evaporam, mas o sal não, aumentando com isso sua concentração naquele Mar, impedindo que qualquer forma de vida se manifeste ali.

Apesar da região desértica, notamos a prevalência daquele rio que fluía do Templo de Deus.

Aliás, ele não apenas resistiu, mas possibilitou que muitas árvores, de todas as espécies, crescessem ao seu redor, inclusive frutíferas.

Onde há água, árvores e frutos, existe também a possibilidade de vida animal e humana.

Por outro lado, em que pese a alta concentração de sal do Mar Morto, as águas do rio que fluíam do Templo do Senhor tinham capacidade de purificá-lo, tornando-o passível de muitos peixes. Tantos que atraíram até pescadores.

Esse rio gera vida por onde ele passa: em suas margens crescerão árvores frutíferas de todas as espécies, suas folhas nunca secarão e nem cairão. Elas produzirão uma nova colheita a cada mês, pois são regadas pelas águas do rio que nasce no templo. Seus frutos servirão de alimento, e suas folhas, de remédio.

Desde a criação, percebemos que a vontade de Deus é se relacionar com o homem, sua criatura, por isso, na viração do dia, Ele descia ao Éden, onde falava com Adão.

Após a queda, esse relacionamento direto ficou interrompido, porque segundo as Escrituras, o nosso pecado nos separam do nosso Senhor. Então, percebemos métodos do próprio Deus a fim de que ele pudesse ser restabelecido.

Ele determinou que Moisés construísse um Tabernáculo para habitar, tabernacular no meio do seu povo.

O Tabernáculo era dividido em átrio, lugar Santo e Santíssimo, onde ficava, atrás do véu, a Arca da Aliança, que representava a presença de Deus.

Muitos anos depois, em Jerusalém, Salomão construiu um Templo para que o Senhor vivesse, habitasse, tabernaculasse no meio do seu povo.

Muito mais glorioso do que o Tabernáculo de Moisés, o Templo de Salomão foi construído com a melhor madeira da época e todo revestido de ouro. Segundo a Bíblia, quando tudo ficou pronto, a glória de Deus o encheu.

Saltando para o Novo Testamento, o Apóstolo João nos revela que “o Verbo se fez carne e habitou, tabernaculou entre nós”.  mas, dessa vez encarnado em Jesus, o Cristo.

Esse Templo que o Senhor mostrou, em visão, para o profeta não era diferente, representava o próprio Deus habitando, tabernaculando no meio do seu povo.

As águas que Ezequiel viu saíam desse Templo e aponta para a figura do Espírito Santo que foi deixado para a Igreja de Cristo, a fim de nos apontar Jesus. As Escrituras nos ensinam que Ele não fala a respeito de si mesmo, mas da obra de Cristo.

Dessa forma, aquele rio que levava vida por onde passava, nos aponta para o Espírito de Deus que leva Jesus, a própria Vida, por onde quer que Ele passa.

O Espírito Santo é quem convence o homem do seu pecado, das suas misérias e é quem ministra arrependimento genuíno aos nossos corações.

É Ele quem abre os nossos olhos para as verdades espirituais e ministra fé aos nossos corações.

O Espírito do Senhor nos leva a crer na obra salvadora de Cristo e, então, podemos nos apossar dela ou não.

É Ele quem flui em nós, nos concede dons, talentos e nos capacita a fim de que cumpramos a sua obra.

O Espírito Santo é o rio que flui do trono de Deus e ministra Vida (Jesus) no meio do seu povo.

E, onde Jesus entra, há justificação.

Onde Jesus entra, há santificação.

Onde Jesus entram há purificação.

Onde Jesus entra, há milagres, maravilhas e curas. Os cegos passam a enxergar, os coxos a andarem e os mortos vivem.

Onde Jesus entra há transformação de caráter, de personalidade, de vida.

Onde Jesus entra, há renovo, há restauração.

Onde Jesus entra, há vida. Não importa se a região é desértica ou se tudo ao seu redor está morto, como aquele mar; quando deixamos Cristo entrar, Ele gera vida por onde passar.

Ele busca o pecador das profundezas do pecado, do lamaçal de iniquidades, do reino das trevas e o limpa.

Da ao pecador novas vestes, novas sandálias, coloca um anel no seu dedo e lhe prepara uma festa para celebrar a sua chegada.

Deus o adota como filho, e ele passa a integrar a família do Todo Soberano.

O Senhor o convida a se assentar à sua mesa e lhe garante VIDA eterna na Nova Jerusalém, onde se comerá, para sempre, do fruto da árvore da vida

Uma visão semelhante a essa foi dada ao Apóstolo João e descrita no capítulo 22 do Livro de Apocalipse corroborando o entendimento acima descrito.

“Então, o anjo me mostrou o rio da água da vida, transparente como cristal, que fluía do trono de Deus e do Cordeiro e passava no meio da rua principal. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que produz 12 colheitas de frutos por ano, uma em cada mês, e cujas folhas servem como remédio para curar as nações. Não haverá mais maldição sobre coisa alguma, porque o trono de Deus e do Cordeiro estará ali, e seus servos o adorarão, verão o seu rosto, e seu nome estará escrito na testa de cada um. E não haverá mais noite, não será necessária a luz da lâmpada e nem do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles. E reinarão para todo sempre.”

Até que esse dia, em que veremos o seu rosto face a face não chegue, podemos nos relacionar com o nosso Pai e, como mencionado até aqui, esse é o desejo Dele para cada um de nós, tanto que não poupou o próprio Filho para possibilitar essa amizade.

Ocorre que muitos de nós não temos usufruído dessa oportunidade. Temos negligenciado o nosso tempo com Deus, os nossos devocionais. Temos deixado de orar.

Temos permitido que o urgente tome lugar do necessário, do mais importante. Temos invertido as nossas prioridades.

E hoje, por meio do profeta Ezequiel, o Senhor nos confronta a nos voltarmos para Ele, a restabelecermos o relacionamento com Ele, a nos aprofundarmos nas suas águas a um lugar de intimidade.

De acordo com a Palavra, o profeta entrou nas águas, caminhou 500 metros e as águas alcançaram seus tornozelos.

Águas nos tornozelos nos mostram pessoas que chegam a Jesus, no rio de Deus, com seus pés sujos, casados, machucados e quebrados de tanto caminharem pelo pecado, os molham e, apesar de encontrarem um alívio imediato, pararam por aí.

Por terem encontrado o que precisavam – o descanso, o alívio, a benção, a cura, o milagre, desistem do Senhor.

São os “crente de domingo”, aqueles que vivem a semana toda afastados de Deus, mas domingo à noite vão à Igreja, mas quando saem de lá, deixam o Senhor e não colocam em prática nenhum dos seus ensinamentos.

Molhar os nossos tornozelos nessas águas é apenas o começo da jornada cristã, consiste apenas no entrar pela porta, há bençãos reservadas apenas para aqueles que vão mais fundo, que obedecem, que vivem no centro da vontade do Soberano.

Além disso, para sermos salvos não basta fazermos uma oração recebendo Jesus como o Salvador das nossas vidas. Precisamos recebe-Lo como Senhor e, verdadeiramente, fazer Dele o nosso senhor.

Se Cristo é o nosso Senhor, significa que somos os seus servos, seus escravos e, portanto, Lhe devemos obediência.

Certa vez Jesus declarou: porque me chamais, senhor, senhor se não fazem o que mando?

Andar por águas rasas nos fará, não apenas deixar de recebemos o melhor de Deus, como também que vivamos em uma linha tênue da perdição.

Enquanto alguns param, outros prosseguem até que as águas dos rios atinjam seus joelhos.

Caminhar com águas nos joelhos é mais dificultoso do que nos tornozelos. A resistência é um pouco maior.

Nesse lugar, alguns posicionamentos nos são exigidos. Algumas renúncias precisam ser feitas. Começamos a ser confrontados pela Palavra do Senhor e percebermos a necessidade de mudarmos.

Por terem que se posicionar, muitos desistem.

Nós precisamos entender que, no mundo espiritual, não existe meio termo. As Escrituras nos ensinam que ou nós somos amigos do mundo e inimigos de Deus; ou amigos do Senhor e inimigos do mundo.

Como amigos do Altíssimo, temos que odiar o mundo e os prazeres carnais que ele nos oferece.

Como servos de Jesus, temos que obedecê-Lo nos posicionando segundo a vontade Dele no meio das pessoas.

Ezequiel caminha mais 500 metros e as águas atingem sua cintura.

Caminhar em um rio corrente com águas na cintura, sozinhos, por muito tempo é difícil. A resistência da água é forte e o andar se torna pesado, apesar de termos os nossos pés firmes no chão.

Por isso, o melhor que temos a fazer é nos entregarmos às correntezas do Espírito (e não lutarmos contra elas) confiantes de que Deus nos levará para águas mais tranquilas.

Acontece que muitos ficam com medo de se afogarem e não se entregam. Pelo contrário, fixam seus pés no chão e não saem do lugar.

Normalmente, são aqueles que são cristãos há 5, 10, 15, 20 anos, mas nunca ouviram a voz do Senhor, nunca tiveram uma experiencia gostosa, sobrenatural com o Espírito Santo, porque ficam com medo de se afogarem, lutam, resistem à Sua ação.

Deus quer que nós nos entreguemos às correntezas de suas águas, para que Ele nos leve para um lugar de profunda intimidade.

O profeta caminha mais 500 metros no rio que fluía do Templo e ele se torna profundo demais, impossível de se alcançar os pés. É aqui que o Senhor nos quer.

Há um nível de profundidade em Deus, cujas águas nos envolve completamente e nos submerge. Um lugar onde os nossos pés não podem mais tocar o chão, onde não temos mais o controle a direção e não conseguimos mais nadar contra as correntezas. Somos totalmente levados pelas águas do Senhor, por seu Espírito Santo.

É esse relacionamento que Deus quer que tenhamos com Ele.

Ele quer que cheguemos a um lugar onde nada mais nos importe, a não ser Ele.

Um lugar de total dependência e submissão, onde Ele tenha o controle de todas as coisas.

Um lugar onde tenhamos coragem de orar: Pai, afasta de mim esse cálice de sofrimento, mas que não seja feita a minha, mas a tua vontade.

Quando Jesus fez essa oração, Ele estava prestes a morrer, ciente de todo sofrimento pelo qual haveria de passar. Ainda assim Ele não considerou sua vida preciosa, quanto obedecer, cumprir a vontade do Pai.

Entrar pela porta, receber Jesus, alcançar a vida eterna, lavarmos, descansarmos os nossos pés sujos e machucamos no rio de Deus é algo incrível.

A salvação é extraordinária, porque não merecemos. É graça.

Contudo, Deus não quer “apenas” nos salvar, Ele nos quer nessas águas profundas, nesse lugar de intimidade, de confiança, onde entregamos todas as áreas das nossas vidas ao seu controle e permitimos que Ele faça tudo conforme quer.

Entregamos a nossa vida sentimental, as nossas emoções, o nosso casamento, a nossa família., a nossa vida financeira, profissional, ministerial, enfim entregamos tudo nas mãos de Deus e oramos: Pai, o Senhor tem liberdade para agir, segundo a tua vontade. Pode fazer, desfazer e refazer.  

É essa intimidade que o Senhor quer que tenhamos com Ele. É nessa profundidade que nós devemos viver.

Habitar em águas profunda faz com que o sobrenatural aconteça nas nossas vidas, faz com que sejamos, individualmente, avivados. Apesar disso, ele não ocorre do dia pra noite e não depende apenas da vontade de Deus.

Percebamos que, no texto, quem caminhava às águas mais profundas era o próprio profeta.

Isso nos revela que a responsabilidade por esse avivamento, por esse relacionamento profundo, para alcançarmos esse lugar de intimidade é nossa.

Não vamos acordar um belo dia com o céu aberto nos nossos quartos, se não a buscarmos; se não gastarmos tempo nesse relacionamento com Deus.

A intimidade não nos é dada, ela é conquistada. A parte que competi ao Senhor foi feita há mais de dois mil anos, quando entregou seu Filho para morrer no nosso lugar, a fim de restabelecer esse relacionamento.

Agora, temos que fazer a nossa parte e interagir com a graça que nos está disponível. Precisamos entrar nos nossos quartos, fechar as portas e falar com o Senhor. Precisamos dedicar tempo de qualidade com Deus, falar com Ele, ler sua Palavra até chegarmos a essas águas profundas, onde confirmamos que Sua presença é melhor do que a própria vida!!!

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